Orçamento empresarial: como montar o de 2027 em uma planilha

Orçamento empresarial para 2027

Inscreva-se em nossa newsletter

Receba informações essenciais para sua empresa, prazos, mudanças e oportunidades.

Compartilhe

Montar o orçamento empresarial de 2027 agora, e não em janeiro, é o que permite ajustar preço, contratação e escala antes de o custo novo chegar. Novembro é o momento certo para montar o de 2027, porque 2026 já tem dez meses de números reais e três mudanças de custo do ano que vem já são conhecidas: o novo salário mínimo, a CBS no lugar do PIS e da Cofins e o fim da escala 6×1.

Uma planilha resolve. Não é preciso sistema caro nem conhecimento de finanças corporativas: bastam os números de 2026, uma aba por cenário e o hábito de comparar o orçado com o realizado todo mês. O que segue mostra como montar essa planilha em seis passos, quais linhas de custo mudam em 2027 e como transformar um número só em três cenários.


O que é orçamento empresarial?

Orçamento empresarial é a previsão, mês a mês, de quanto a empresa espera vender, gastar e lucrar no ano. Ele serve para decidir antes, e não para registrar depois: todo mês o dono compara o que orçou com o que aconteceu e corrige o rumo.

Na prática, é uma tabela com os doze meses nas colunas e, nas linhas, a receita prevista, os custos que acompanham a venda, as despesas fixas e o resultado. Para uma pequena empresa, essa tabela costuma caber em uma tela.

O valor do orçamento não está na precisão da previsão, que sempre vai errar um pouco, e sim nas decisões que ele obriga a tomar com antecedência. Reajustar o preço em janeiro ou em março, contratar no primeiro ou no segundo semestre, renovar o aluguel ou negociar: com o ano desenhado, essas perguntas aparecem em novembro, quando ainda existe margem de escolha.


Qual a diferença entre orçamento e fluxo de caixa?

O orçamento olha para o resultado: quanto a empresa vai vender e gastar em cada mês, pela data em que a venda e a despesa acontecem. O fluxo de caixa olha para o dinheiro: quando cada valor entra e sai da conta.

A diferença aparece em qualquer venda a prazo. Uma venda de R$ 20.000 feita em dezembro, para receber em 60 dias, entra no orçamento de dezembro e só entra no caixa em fevereiro. Por isso uma empresa pode cumprir o orçamento do mês e, mesmo assim, ficar sem dinheiro para pagar os fornecedores. A explicação completa está no artigo sobre fluxo de caixa e DRE.

Os dois se complementam. O orçamento define o plano do ano; o fluxo de caixa mostra se o dinheiro vai chegar a tempo de executar o plano. Quando o orçamento prevê crescimento de vendas a prazo, quase sempre ele também pede mais capital de giro, e como calcular capital de giro é o passo seguinte.


Como fazer o orçamento da empresa em 6 passos

1. Feche os números de 2026 por mês. Antes de projetar, é preciso saber de onde a empresa parte. Monte uma linha por mês, de janeiro a outubro, com receita, custos variáveis, despesas fixas e resultado. Os dados vêm do extrato, das notas emitidas e do relatório da contabilidade. Novembro e dezembro entram como estimativa e são corrigidos em janeiro.

2. Projete a receita por produto ou serviço, com a sazonalidade. Prever a receita total de uma vez, com um percentual de crescimento em cima de 2026, esconde onde o crescimento vai acontecer. É mais seguro separar as principais linhas de venda e respeitar o desenho do ano: o comércio que vende mais em dezembro, o escritório de serviços que perde ritmo em janeiro e julho. Se o reajuste de preço está previsto, ele entra no mês em que vai valer, e não no ano inteiro.

3. Separe custos variáveis, despesas fixas e folha. Custo variável é o que cresce junto com a venda: mercadoria, comissão, taxa de cartão, impostos sobre o faturamento. Despesa fixa é o que existe mesmo sem venda: aluguel, sistemas, contador, internet. A folha merece linhas próprias, por pessoa ou por função, porque é ali que entram o reajuste do salário mínimo, o 13º, as férias e o FGTS.

4. Inclua as mudanças de 2027 que já se conhecem. Esse é o passo que a maioria dos modelos de planilha não traz, e está detalhado na próxima seção. Contratos com reajuste anual, como aluguel e sistemas, também entram aqui, com o índice previsto em cada contrato.

5. Monte três cenários. Com a planilha base pronta, duplique a aba duas vezes e mude só as premissas de receita. O exemplo mais abaixo mostra como fazer sem complicar.

6. Acompanhe o realizado contra o orçado todo mês. Uma coluna ao lado de cada mês, com o número real, e outra com a diferença. É essa comparação que transforma a planilha em ferramenta de gestão.

Uma variação útil no passo 3 é o orçamento base zero, que funciona bem em pequena empresa. Em vez de copiar as despesas de 2026 e somar a inflação, cada despesa precisa ser justificada do zero: por que existe, quanto deveria custar e o que acontece se for cortada. Não é preciso aplicar a todas as linhas. Fazer isso nas cinco maiores despesas fixas costuma revelar assinatura esquecida, contrato sem renegociação há anos e serviço duplicado.


O que muda nos custos do orçamento empresarial de 2027

Quatro linhas da planilha vão mudar em 2027 por regra já publicada ou em fase final de decisão. Nenhuma depende do desempenho da empresa, e por isso todas podem entrar no orçamento desde já.

Linha da planilha20262027Situação em 30/10/2026
Salário mínimoR$ 1.621R$ 1.741 (proposta)No projeto de Orçamento; valor final sai em dezembro
Tributos sobre a venda, fora do SimplesPIS e Cofins: 3,65% (cumulativo) ou 9,25% (não cumulativo)CBS de 11,2% e IBS de 0,1%, com crédito das comprasReferência de 11,3% calculada pelo TCU; Senado fixa até 15/12
Guia do Simples (Anexo III)PIS e Cofins dentro da guiaCBS e IBS dentro da guia, mesmas alíquotas nominaisJá em lei
Jornada44 horas, escala 6×1 permitida42 horas e dois dias de descanso desde meados de dezembro de 2026; 40 horas a partir de dezembro de 2027Já na Constituição

Salário mínimo de 2027

O projeto de Orçamento de 2027 enviado ao Congresso prevê salário mínimo de R$ 1.741, R$ 120 acima dos R$ 1.621 de hoje, alta de 7,4%. O número ainda não é definitivo: o Orçamento será votado depois das eleições e o valor final depende da inflação medida até novembro. O mais prudente é orçar com R$ 1.741 e revisar em janeiro. Os detalhes estão no artigo sobre o salário mínimo 2027.

Para cada funcionário que ganha o mínimo, o reajuste custa R$ 120 por mês. No ano, contando 12 salários, o 13º e o terço de férias, são R$ 1.600, e o FGTS de 8% sobre esse valor soma mais R$ 128. O total é de R$ 1.728 por funcionário. Nas empresas que recolhem o INSS patronal separado da guia do Simples, essa contribuição também incide sobre o aumento. A composição completa está no artigo sobre quanto custa um funcionário CLT.

O mínimo não reajusta automaticamente quem ganha mais que ele. Funcionários com piso da categoria seguem a convenção coletiva, que costuma ter data-base própria, e esse reajuste também precisa estar na planilha, no mês certo.

CBS e IBS no lugar do PIS e da Cofins

Em 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir e a CBS entra no lugar. Em 28 de outubro, o Tribunal de Contas da União calculou a alíquota de referência da CBS de 2027 em 11,3%. Pela Lei Complementar 214/2025, em 2027 e 2028 a CBS é cobrada com 0,1 ponto a menos que a referência, ou seja, 11,2%, e o IBS entra em fase de teste com 0,1%. A soma volta aos 11,3%. O Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota por resolução; se não fixar no prazo, vale o número do TCU a partir de 1º de janeiro.

Para quem não está no Simples, a mudança é grande e precisa de linha própria na planilha. A CBS é calculada por fora do preço e dá direito a crédito do imposto que veio nas compras, o que o PIS e a Cofins cumulativos do Lucro Presumido não davam. Uma empresa de serviços do Presumido que fatura R$ 10.000 antes dos tributos paga hoje R$ 365 de PIS e Cofins. Em 2027, com 11,3% de CBS e IBS somados, o tributo destacado passa a R$ 1.130, antes dos créditos. Quanto disso vira custo depende de quanto da diferença vai para o preço e de quanto a empresa compra de fornecedores que geram crédito. A conta detalhada está no artigo sobre CBS no Lucro Presumido, e o reflexo no preço, no de precificação de serviços com impostos.

Para quem está no Simples e não optou por recolher a CBS e o IBS por fora, a guia mensal continua única. No Anexo III, o mais comum entre empresas de serviços, as alíquotas e as parcelas a deduzir de 2027 são as mesmas de hoje: a CBS ocupa, dentro da guia, a fatia que era do PIS e da Cofins. O orçamento dessa empresa não precisa de linha nova de imposto. Precisa, porém, de atenção aos clientes do regime regular, que passam a comparar o crédito que cada fornecedor gera, e isso pode pesar na negociação de preço.

Fim da escala 6×1

A Emenda Constitucional 141/2026 reduziu a jornada máxima para 42 horas e garantiu dois dias de descanso por semana a partir de meados de dezembro de 2026, dois meses depois da publicação. Em dezembro de 2027, a jornada cai para 40 horas. O salário não pode ser reduzido.

No orçamento, isso aparece de três formas possíveis: mais horas extras para cobrir a escala, uma contratação a mais ou mudança no horário de atendimento. Cada uma tem custo diferente, e a escolha precisa estar feita antes de janeiro. Para o comércio, o efeito costuma ser o maior dos quatro. O artigo sobre o fim da escala 6×1 no comércio mostra o valor da hora em cada fase e as opções para montar a nova escala.

Inflação e reajustes de contrato

Para as linhas sem regra própria, a referência é a projeção do mercado. Na edição de 23 de outubro de 2026 do Relatório Focus, do Banco Central, a mediana das projeções aponta IPCA de 4,34% e IGP-M de 4,01% para 2027, e Selic de 11,75% no fim do ano. Contratos de aluguel costumam ser reajustados por um desses índices, no mês de aniversário do contrato; vale conferir qual índice e qual mês estão escritos em cada um.


Três cenários sem complicar

Cenário não exige modelo estatístico. Basta copiar a aba do orçamento base duas vezes e mudar só as premissas de receita: uma aba pessimista, com queda, e uma otimista, com alta. As despesas fixas ficam iguais nas três, porque não acompanham a venda no curto prazo.

Um exemplo com uma empresa de serviços que prevê faturar R$ 80.000 por mês, com custos variáveis (impostos sobre a venda, comissões e insumos) de 30% da receita e despesas fixas, folha incluída, de R$ 45.000 por mês:

Por mêsPessimista (-15%)BaseOtimista (+10%)
ReceitaR$ 68.000R$ 80.000R$ 88.000
Custos variáveis (30%)R$ 20.400R$ 24.000R$ 26.400
Margem de contribuiçãoR$ 47.600R$ 56.000R$ 61.600
Despesas fixasR$ 45.000R$ 45.000R$ 45.000
ResultadoR$ 2.600R$ 11.000R$ 16.600

O que o cenário pessimista mostra é que uma queda de 15% na receita leva o resultado de R$ 11.000 para R$ 2.600, muito perto de zero. O ponto de equilíbrio dessa empresa é de cerca de R$ 64,3 mil por mês (R$ 45.000 divididos pela margem de 70%), e o método está explicado no artigo sobre ponto de equilíbrio para empresa de serviços.

O ganho do exercício é decidir com antecedência o que fazer em cada cenário. Se a receita ficar dois meses seguidos perto do pessimista, quais despesas são cortadas primeiro? Se ficar no otimista, a contratação planejada para o segundo semestre é antecipada? Escrever essas respostas numa aba de anotações evita decidir no susto.


O número para acompanhar todo mês

De todos os números da planilha, o que mais diz sobre o ano é a diferença entre a margem de contribuição realizada e a orçada, acumulada desde janeiro. Ela junta duas coisas: se a empresa vendeu o previsto e se manteve o custo de cada venda. Uma receita dentro do orçado com margem abaixo do previsto indica preço defasado, desconto demais ou custo variável subindo, como uma taxa de cartão maior ou um imposto que não foi repassado.

Uma regra simples de revisão: se o acumulado ficar mais de 10% abaixo do orçado por dois meses seguidos, vale trocar o cenário base pelo pessimista e revisar as despesas fixas. Se ficar acima, revisar a premissa de receita para o resto do ano. O orçamento não é engessado: ele é revisto quando a realidade muda, como deve acontecer em janeiro, com o salário mínimo e a CBS já definidos.

A revisão deve ser mensal, logo depois do fechamento do mês, e leva pouco tempo quando os lançamentos estão em dia. A empresa que tem a conciliação bancária e as contas a pagar organizadas consegue fazer essa comparação em menos de uma hora.


Por onde começar ainda em novembro

O primeiro passo é o mais simples: abrir o extrato e as notas de 2026 e montar a linha de cada mês. Com isso pronto, o orçamento empresarial de 2027 sai em poucas horas, e as decisões de preço, contratação e escala podem ser tomadas antes da virada do ano, e não em março.

Para montar o orçamento com os números da sua empresa e entender como as mudanças de 2027 se aplicam ao seu regime, fale com a PBA Contabilidade.

Fontes

Navegue pelo conteúdo

Inscreva-se em nossa newsletter

Receba informações essenciais para sua empresa, prazos, mudanças e oportunidades.