A reforma tributária chegou com datas concretas e o Simples Nacional em 2027 vai operar em um ambiente completamente diferente do que as empresas conhecem hoje.
Em abril de 2026, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) publicou a Resolução nº 186/2026, que define os prazos para a opção pelo Simples Nacional e pelo regime regular de IBS e CBS para 2027. O prazo principal fecha em 30 de setembro de 2026
A decisão que sua empresa tomar até lá vai definir o regime tributário para o próximo ano e os impactos financeiros que vêm com ele. Não decidir também é uma decisão, e tem consequências.
O que é a reforma tributária do consumo e por que ela afeta o
Simples Nacional
A reforma tributária aprovada no Brasil substitui cinco tributos sobre o consumo por dois novos:
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) administrado pelos estados e municípios,
substitui o ICMS e o ISS
CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) federal, substitui o PIS e a Cofins
O cronograma de transição funciona em etapas:
- 2027: extinção do PIS e da Cofins. CBS e IBS começam a ser cobrados
- 2029 a 2032: redução gradual de ICMS e ISS em 10% ao ano
- 2033: sistema completamente novo em pleno vigo
Para as empresas do Simples Nacional, essa transição exige uma escolha antes de setembro de 2026. Essa escolha tem nome: regime híbrido.
O que é o regime híbrido do Simples Nacional
Com a reforma tributária, as empresas do Simples Nacional em 2027 terão duas formas de recolher o IBS e a CBS:
Opção 1 — Regime unificado (DAS padrão)
Todos os tributos, incluindo o IBS e a CBS, continuam dentro do DAS, em guia única. A operação não muda muito mas a empresa não gera créditos de IBS e CBS para seus clientes.
Opção 2 — Regime híbrido
O IBS e a CBS são calculados e recolhidos fora do DAS, seguindo as regras do regime regular. Os demais tributos (IRPJ, CSLL, CPP, IPI) continuam no DAS.
A diferença prática: no regime híbrido, sua empresa passa a gerar créditos de IBS e CBS para os clientes. Em cadeias B2B, isso pode ser um fator decisivo de competitividade compradores tendem a preferir fornecedores que geram crédito.
Para quem o regime híbrido é mais vantajoso
A escolha certa depende do perfil da empresa. O regime híbrido tende a ser mais vantajoso
para:
- Empresas que vendem majoritariamente para outras empresas (B2B)
- Indústrias e atacadistas com alto volume de aquisição de insumos
- Empresas próximas ao limite de faturamento do Simples Nacional
- Negócios em que a geração de crédito aumenta a competitividade frente a
concorrentes fora do Simple
O regime unificado tende a ser mais adequado para empresas que vendem direto ao consumidor final (B2C) e que não sofrem pressão da cadeia de fornecimento por geração de crédito.
A escolha não é óbvia e não tem uma resposta universal. Uma análise equivocada pode
resultar em carga tributária maior ou perda de competitividade em 2027.
Quais são os prazos da Reforma Tributária para o Simples Nacional
em 2027
A Resolução CGSN nº 186/2026, publicada pela Receita Federal em 17 de abril de 2026, definiu os seguintes prazos:
Janela principal — ano calendário 2027
- Prazo para formalizar a opção: 1º a 30 de setembro de 2026
- Onde: Portal do Simples Nacional
- Efeitos: a partir de 1º de janeiro de 2027
- Cancelamento da opção: até 30 de novembro de 2026
Empresas abertas entre 17/10 e 31/12/2026
Para quem se inscrever no CNPJ entre 17 de outubro e 31 de dezembro de 2026, a opção produz efeitos imediatos tanto no Simples Nacional quanto no IBS e CBS. A janela excepcional de setembro não se aplica a essas empresas.
Quem perder a janela de setembro
A próxima oportunidade de migrar para o regime híbrido abre em março de 2027 mas com efeitos apenas a partir do segundo semestre do ano. Para empresas B2B, isso significa perda de competitividade no primeiro semestre de 2027.
Regularizações pendentes também precisam atenção: a empresa tem 30 dias para regularizar pendências fiscais antes da opção ser cancelada. Ou seja, quem tem irregularidades precisa resolver isso antes de setembro.
Acesse o Portal do Simples Nacional para verificar a situação fiscal da sua empresa.
5 decisões que sua empresa precisa tomar antes de setembro de
2026
A reforma tributária exige preparação e não apenas no mês de setembro. Aqui estão as 5 decisões concretas que precisam acontecer antes do prazo:
- Mapear o perfil da sua cadeia de vendas
A maioria dos seus clientes é empresa ou consumidor final? Se for B2B, a pressão por geração de crédito já é ou vai ser real. Se for B2C, o regime unificado provavelmente continua sendo mais simples e adequado. - Simular a carga tributária nas duas opções
Com os dados da sua empresa faturamento, margem, volume de insumos, alíquota efetivas é possível calcular qual regime resulta em menor carga. Sem essa simulação, a decisão é no escuro. - Verificar e regularizar pendências fiscais
Se a empresa tem irregularidades fiscais pendentes, elas precisam ser resolvidas antes de
setembro. A Resolução prevê 30 dias para regularização mas esse prazo precisa ser acionado antes da janela fechar. - Avaliar o impacto na precificação
No regime híbrido, o IBS e a CBS saem do DAS e são calculados separadamente. Isso
pode alterar a estrutura de preços e a margem líquida da empresa. Essa mudança precisa
ser planejada com antecedência. - Tomar a decisão com suporte especializado
As variáveis envolvidas alíquotas, créditos, perfil de clientes, cadeia de fornecimento, regularidade fiscal tornam essa análise complexa. Tomar a decisão sem orientação técnica é um risco real.
Falar com um contador especializado em reforma tributária antes de setembro é o passo mais importante que sua empresa pode dar agora
O que acontece se sua empresa não decidir até setembro
Sem formalização da opção na janela de setembro de 2026, sua empresa continua no regime unificado padrão do Simples Nacional, com IBS e CBS dentro do DAS
Isso não é necessariamente um problema pode ser a opção correta para o seu perfil. Mas se o seu mercado exige geração de crédito e você ficou fora do regime híbrido no início de 2027, a próxima janela só abre em março e os efeitos só começam no segundo semestre.
O custo da omissão pode ser maior do que parece.
Como a PBA Contabilidade pode ajudar a sua empresa na
transição
A reforma tributária ainda gera dúvidas e isso tem custo quando as decisões são tomadas sem base técnica. Escolher o regime errado, perder o prazo de setembro ou não regularizar pendências a tempo são erros que impactam diretamente o caixa e a competitividade em 2027.
A PBA Contabilidade analisa o perfil fiscal e operacional da sua empresa, simula as duas opções de tributação e orienta a escolha com base em dados concretos.
Não espere setembro para começar essa análise. O prazo está aberto, mas a preparação precisa acontecer antes.
Entre em contato com a PBA Contabilidade e agende sua análise tributária.
Fonte: Receita Federal