Quem emite nota de serviço pelo Emissor Nacional da NFS-e encontra, logo na primeira tela, a pergunta “Preencher as informações IBS/CBS?”, com as opções Sim e Não. A resposta certa para preencher as informações IBS/CBS depende do regime tributário da empresa, do tipo de serviço e da data em que o serviço foi prestado. Marcar Sim ou Não só para fazer a tela avançar é o caminho mais curto para uma nota errada.
Até 31 de dezembro de 2026, a nota sem os campos de IBS e CBS é autorizada pelo sistema nacional. Ser autorizada, porém, não quer dizer estar correta: para quem já entrou no cronograma, o dever de informar continua, e a nota sem o grupo fica em desconformidade. O que a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS suspenderam foi a trava técnica, como explica o artigo sobre nota fiscal rejeitada por IBS e CBS. Este texto responde primeiro o que marcar e, depois, o que precisa estar configurado para que o Sim saia certo.
Atualizado em 30/10/2026 com a resposta para a pergunta “Preencher as informações IBS/CBS?” por regime tributário, o calendário do Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 para a NFS-e, a orientação do Portal da NFS-e sobre a não rejeição até 31/12/2026 e o programa de conformidade de 2026.
Preencher as informações IBS/CBS: sim ou não?
Lucro Presumido ou Lucro Real, serviço comum da lista do ISS: Sim. Para a maior parte dos serviços sujeitos ao ISS, o preenchimento é obrigatório desde 1º de outubro de 2026. Se a sua empresa presta serviço profissional, técnico, de manutenção, de saúde ou de consultoria e está no regime regular, a nota de serviço emitida a partir dessa data já deveria sair com os campos.
Lucro Presumido ou Lucro Real, serviço do segundo grupo: a obrigação começa em 1º de dezembro de 2026. Entram aqui locação de bens móveis e de imóveis (menos as cessões que já constam da própria lista do ISS, que seguem a data de outubro), taxas de condomínio, plataformas digitais e os serviços que elas intermedeiam, os subitens 1.03, 1.05 e 1.09 da lista do ISS (hospedagem de dados, licenciamento de software e conteúdo disponibilizado pela internet), o transporte coletivo do subitem 16.01, bens imateriais fora da lista e os serviços não enquadrados nas outras hipóteses. Até 30 de novembro, marcar Não é permitido. Como falta um mês, o melhor uso desse tempo é deixar o cadastro pronto e testar o preenchimento antes da data, de preferência no ambiente de testes (produção restrita) do Emissor Nacional, e não em nota real.
Simples Nacional: em 2026, Não. Para o optante do Simples, o preenchimento dos grupos de IBS e CBS só passa a ser obrigatório em 1º de janeiro de 2027, inclusive para quem já é obrigado a usar o Emissor Nacional desde 1º de novembro de 2026: são dois calendários independentes, segundo o próprio Portal da NFS-e. Marcar Sim em 2026 não é proibido, mas obriga a preencher todos os códigos corretamente, e as alíquotas de teste de 2026 não se aplicam ao Simples.
Em qualquer regime, a data de competência informada na nota precisa ser a data real da prestação do serviço. Trocar a competência para fugir da pergunta é erro de emissão, não solução.
Onde a pergunta aparece e o que cada resposta faz
A pergunta está na primeira tela da emissão completa do Emissor Nacional, junto com a data de competência e a identificação do emitente. O Emissor Web com os grupos de IBS e CBS no formulário entrou em produção em 10 de agosto de 2026. Quem emite por um sistema próprio, um ERP ou o sistema da prefeitura pode ver a mesma escolha com outro nome, ou nem ver a pergunta, porque o sistema já decide pelo cadastro.
Marcar Sim abre o grupo de IBS e CBS da nota. A partir daí, a empresa precisa informar, de forma coerente entre si, o código da NBS (Nomenclatura Brasileira de Serviços), o indicador da operação, o CST (código de situação tributária) e o cClassTrib (código de classificação tributária), além das alíquotas e valores que o emissor calcula a partir deles e, quando o tipo de operação pedir, os dados completos do tomador. O ponto que pega muita gente é este: segundo o Portal da NFS-e, em comunicado de 29 de outubro de 2026, quem decide informar o grupo, mesmo sem estar obrigado, passa por todas as validações de conteúdo normalmente. A suspensão alcança só a verificação de presença do grupo. Código incoerente, com o grupo informado, pode, sim, travar a nota.
Marcar Não emite a nota sem o grupo. Até 31 de dezembro de 2026 essa nota não é rejeitada por esse motivo. Para quem ainda não está no cronograma, como o Simples em 2026, é a resposta correta. Para quem já está, a nota sai, mas fica em desconformidade, e o emitente se sujeita às consequências previstas para a categoria dele.
Não existe um código universal para todos os serviços. O CST e o cClassTrib dependem do que é prestado e de eventual redução ou regime específico, e a correlação oficial entre NBS e cClassTrib é orientativa. Por isso a escolha do Sim é a parte simples. O trabalho está no que vem depois dele.
O calendário que decide a resposta
As datas vêm do Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026, que fixou quando cada documento fiscal passa a ter que trazer o IBS e a CBS. Para a nota de serviço, o resumo é este:
| Quem emite | Desde quando o grupo de IBS e CBS é obrigatório na NFS-e |
|---|---|
| Regime regular, serviços da lista do ISS fora das exceções | 1º de outubro de 2026 |
| Regime regular, plataformas digitais, subitens 1.03, 1.05, 1.09 e 16.01, bens imateriais, condomínios, locações e demais serviços | 1º de dezembro de 2026 |
| Optantes do Simples Nacional | 1º de janeiro de 2027 |
Os outros documentos têm datas próprias. NF-e e NFC-e, por exemplo, estão no cronograma desde 3 de agosto de 2026, e a empresa que emite mais de um tipo de documento precisa olhar a data de cada um. O cronograma do IBS e CBS na nota fiscal detalha o calendário por documento, e o artigo sobre a NFS-e nacional obrigatória trata da troca de emissor que o Simples fez em novembro.
O que muda em 2027
Em 1º de janeiro de 2027 o Simples Nacional entra no cronograma, e a pergunta passa a ter resposta Sim também para o optante. A empresa do Simples que escolheu recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, o chamado Simples híbrido, também começa a destacar os dois tributos a partir dessa data.
O ano de 2027 também é quando a CBS deixa de ser teste. Em 28 de outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União calculou a alíquota de referência da CBS de 2027 em 11,3%, e o Senado ainda pode fixar outro número por resolução. A partir daí, o que sai na nota passa a valer dinheiro dos dois lados: é o débito de quem vende e o crédito de IBS e CBS de quem compra. Nota com código errado em 2027 não é só desconformidade, é crédito contestado no cliente.
O que ainda não tem ato publicado é a data em que a nota sem o grupo volta a ser rejeitada. A orientação oficial garante a não rejeição até 31 de dezembro de 2026 e não diz o que acontece depois. Quem planeja a emissão de janeiro deve tratar a rejeição como possível.
O trabalho não está no emissor, está no cadastro
Essa é a inversão que a maioria das empresas faz, e ela custa semanas.
A reação natural ao receber o aviso da obrigatoriedade é acionar o fornecedor do sistema e perguntar se ele já atualizou a versão. Em geral, já atualizou. Os desenvolvedores de ERP e de emissores acompanham as Notas Técnicas e liberam as versões antes do prazo, porque essa é a atividade deles.
O que o fornecedor não pode fazer pela empresa é determinar a classificação tributária correta de cada item comercializado. O sistema disponibiliza os campos novos, mas o conteúdo que os preenche vem do cadastro de produtos e serviços. É nesse ponto que está o problema, porque na maior parte das empresas o cadastro carrega informação antiga, sem revisão há anos.
Item cadastrado com classificação genérica, produto que mudou de natureza e nunca teve o registro corrigido, serviço criado às pressas para faturar um contrato específico e que permaneceu no sistema indefinidamente. Nada disso gerava consequência até agora, porque a informação não era exigida. Passou a ser.
O que revisar, na ordem
O primeiro passo é levantar quais documentos a empresa efetivamente emite. Parece óbvio, mas não é. É comum descobrir nessa etapa a emissão de um tipo de documento que ninguém do financeiro recordava, normalmente em razão de uma filial, de uma operação de transporte ou de um contrato específico. Como cada documento tem a própria data no cronograma, essa lista define o calendário real da empresa.
O segundo passo é a revisão do cadastro de itens. Aqui convém um recorte prático, em vez da tentativa de revisar tudo simultaneamente: comece pelos itens que respondem pela maior parte do faturamento. Na maioria das empresas, uma minoria dos produtos e serviços concentra o maior volume de notas emitidas, e resolver esse grupo já cobre a maior parte do risco. O restante entra em uma segunda rodada.
O terceiro passo é o teste em ambiente de homologação, com o fornecedor acompanhando. Não basta perguntar se o sistema está atualizado. As perguntas úteis são outras: os grupos de informação de IBS e CBS estão sendo efetivamente transmitidos no arquivo? A classificação que o sistema atribui automaticamente a cada item está correta? O que ocorre quando um item sem classificação definida é incluído na nota?
O quarto passo é definir quem confere. A emissão de nota costuma ser tarefa distribuída entre pessoas do comercial, do faturamento ou da expedição, muitas vezes sem formação fiscal. Se ninguém acompanhar as primeiras semanas de emissão com atenção, o erro se multiplica silenciosamente até se tornar volume relevante.
Preencher corretamente é o que dispensa a empresa de pagar
Aqui está a razão pela qual esse trabalho não pode ser adiado, e ela é diferente do que a maioria supõe.
Em 2026 as alíquotas são de teste: 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, um por cento no total. Mas o artigo 348, §1º da Lei Complementar 214/2025 vai além do valor reduzido. Ele dispensa o recolhimento de IBS e CBS sobre os fatos geradores ocorridos em 2026 para o contribuinte que cumprir as obrigações acessórias.
A condicionante é o ponto central: a dispensa não é automática, é a contrapartida de prestar a informação corretamente. A empresa preenche adequadamente e, em troca, não recolhe.
Isso altera completamente o enquadramento do assunto. Quem trata os campos novos como burocracia de um ano em que nada acontece está confundindo causa e efeito. Não é que 2026 seja isento e o preenchimento seja um capricho. É que o preenchimento é justamente o que torna 2026 isento.
A lei também deu uma rede de proteção para o erro de 2026. Se a fiscalização lavrar auto de infração por descumprimento das obrigações acessórias do IBS e da CBS neste ano, a empresa é intimada e tem 60 dias para suprir a omissão, e o atendimento à intimação extingue a penalidade. Em agosto, a Receita e o Comitê Gestor regulamentaram ainda o Programa Nacional de Conformidade Tributária de 2026: fica no programa quem cumpre as obrigações e, mesmo com falhas, quem aumenta de forma contínua as notas emitidas com os campos corretos, atende às intimações no prazo, corrige até 31 de dezembro de 2026 as inconsistências comunicadas e mantém um profissional da contabilidade indicado como responsável pela conformidade fiscal.
Existe ainda uma segunda consequência, que se manifesta depois. A informação que sai nas notas de 2026 é a que alimentará cruzamentos, apurações e o próprio aprendizado da empresa sobre o novo modelo. Quem preenche de forma inconsistente ao longo do ano chega em 2027 supondo estar adequado, sem estar.
Para os optantes do Simples Nacional, as alíquotas de teste de 2026 não se aplicam, por previsão expressa do mesmo artigo 348.
Os erros que mais aparecem nesta fase
O primeiro é o preenchimento de fachada, quando alguém percebe que a nota trava e insere qualquer classificação capaz de liberar o documento. Na NFS-e, a versão mais comum é marcar Sim na primeira tela e escolher o primeiro código da lista. Isso resolve o dia e cria um passivo, porque gera base inconsistente com aparência de conformidade.
O segundo é tratar a suspensão da rejeição como fim da obrigação e interromper o projeto de adequação pela metade. É o erro mais comum neste momento e o mais caro. A não rejeição tem data para acabar na orientação oficial, 31 de dezembro de 2026, e o que vem depois dela ainda não foi anunciado.
O terceiro é o cadastro replicado. Empresas com mais de um estabelecimento, ou que utilizam mais de um sistema, corrigem o cadastro em um ambiente e esquecem do outro. A adequação parece concluída, mas não está.
O quarto é o silêncio na caixa postal eletrônica, que no caso da Receita Federal é o e-CAC. Como a lei abre 60 dias para corrigir a omissão depois da intimação, quem acompanha as mensagens resolve o problema sem penalidade. Quem não acompanha toma conhecimento depois do prazo. Em muitas empresas, ninguém tem essa atribuição formalmente.
Se a nota travar mesmo assim
Se, apesar da suspensão das validações, um documento continuar sendo rejeitado, o problema raramente está na ausência do IBS ou da CBS. Toda rejeição tem código, e o código indica o motivo. Convém ler a mensagem antes de atribuir a falha à Reforma, porque nesta fase é comum imputar a ela qualquer erro de emissão, inclusive os anteriores.
Na NFS-e, uma causa frequente é a própria resposta Sim. Com o grupo informado, as validações de conteúdo continuam valendo, e uma combinação de NBS, CST e cClassTrib que não conversa entre si é recusada. Se a empresa não está obrigada naquela competência e não tem o cadastro pronto, emitir com Não resolve o dia sem criar nota errada.
Se a rejeição for de fato relacionada aos campos novos, o caminho é verificar a versão do emissor em uso, se ela contempla as Notas Técnicas mais recentes, e se o item da nota possui classificação definida no cadastro. Em geral o problema está em um desses três pontos.
Quem deveria estar cuidando disso
Cabe uma observação honesta. A adequação dos campos de IBS e CBS não é trabalho de contabilidade no sentido tradicional, de escrituração e entrega de obrigação. É trabalho de parametrização de sistema, revisão de cadastro e conferência de emissão, situado na fronteira entre o fiscal e a operação.
Justamente por estar nessa fronteira, é o tipo de tarefa que costuma não ter responsável definido. O contador presume que o cliente resolve com o fornecedor do sistema, o cliente presume que o contador está acompanhando, e o fornecedor entrega o software atualizado supondo que o conteúdo é atribuição de outro. Meses transcorrem assim. O programa de conformidade de 2026, que pede um profissional da contabilidade indicado como responsável, é um bom motivo para resolver essa divisão agora.
Se a sua empresa ainda não sabe o que marcar na pergunta ou se as notas emitidas desde outubro estão saindo corretas, fale com a PBA Contabilidade e trate o assunto enquanto a validação permanece suspensa.
Fontes
- Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026, Comitê Gestor do IBS (art. 1º, III, e § 1º)
- Novo marco da Reforma Tributária inicia em 03 de agosto com preenchimento obrigatório dos campos relativos ao IBS e à CBS, Comitê Gestor do IBS
- CGNFS-e orienta sobre os prazos para destaque de IBS/CBS nas notas fiscais de serviço, Portal da NFS-e, 07/08/2026
- Perguntas e Respostas da NFS-e, versão 1.00, Portal da NFS-e, 08/09/2026 (assuntos 15.1, 15.2 e 20.4)
- NFS-e Nacional: confira as orientações sobre leiaute em produção, regras de preenchimento de IBS/CBS e status da Nota Técnica 009, Portal da NFS-e, 29/10/2026
- Plataforma NFS-e disponibiliza novas evoluções em produção restrita e divulga cronograma de implantação, Portal da NFS-e, 28/07/2026
- Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 5, de 12 de agosto de 2026 (DOU de 13/08/2026), SPED
- Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, arts. 343, 346 e 348, Planalto
- Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, lista de serviços, Planalto
- Reforma tributária: TCU calcula alíquota da CBS em 11,3% para 2027, Agência Senado, 28/10/2026
- Ato oficializa regras técnicas para IBS e CBS nas notas fiscais, Portal Contábeis (Ato Técnico Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2026 e Notas Técnicas de 04/08/2026)
- Emissor Nacional, passo a passo de emissão, base de suporte Senhor Contábil (fonte secundária, sobre a tela da pergunta)