Na manhã da quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o Banco Central do Brasil (BC) tomou uma decisão drástica que impacta milhões de correntistas, investidores e usuários de serviços financeiros no país: decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., instituição que controlava o banco digital conhecido como Will Bank.
Essa medida representa o fim das operações da instituição como conhecíamos até então, uma etapa em que o regulador declara que a entidade não tem mais condições financeiras de continuar funcionando e precisa ser encerrada de forma ordenada para proteger o sistema financeiro e seus credores.
Um banco focado nas classes C, D e E
O Will Bank surgiu com uma proposta clara: atender principalmente clientes das classes econômicas C, D e E, pessoas que muitas vezes têm menos acesso aos serviços dos bancos tradicionais. A instituição foi criada para oferecer contas digitais sem tarifas, pagamentos via Pix, cartões de crédito com a bandeira Mastercard e investimentos em produtos simples, como CDBs.
Nos últimos anos, o banco digital cresceu rapidamente e chegou a colocar na sua base cerca de 12 milhões de clientes, movimentando bilhões de reais em depósitos e serviços financeiros.
Por que o banco foi liquidado?
Segundo a Revista Veja Negócios, “A decisão ocorreu após a Mastercard suspender o uso de sua bandeira pelo Will Bank, movimento que expôs dificuldades da financeira em honrar compromissos com a operadora de cartões. A partir desse episódio, o BC optou por liquidar a instituição, que havia permanecido fora do processo de liquidação do conglomerado Master iniciado em novembro.” Leia mais aqui.
O que muda para quem tinha conta ou investimento no banco
A primeira consequência prática dessa liquidação foi a suspensão imediata de serviços essenciais:
- Todos os cartões de crédito do Will Bank emitidos com a bandeira Mastercard foram cancelados e deixaram de funcionar.
Transações, pagamentos e transferências relacionados a esses cartões foram interrompidos.
Proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Uma das preocupações centrais dos clientes agora é saber se podem recuperar o dinheiro que tinham no banco. A resposta inicial é sim, mas com limites.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade que protege depositantes e investidores em casos de falências e liquidações de instituições financeiras, garante o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para cada cliente. Esse limite inclui tanto o saldo em conta quanto os valores aplicados em títulos como CDBs e RDBs considerados elegíveis.
Isso significa que, se você tinha menos de R$ 250 mil no conjunto de produtos garantidos pelo FGC no Will Bank, provavelmente receberá a totalidade desse valor (principal e rendimentos) de volta, embora o processo possa levar alguns meses até ser concluído na prática.
Por outro lado, se seus saldos ou investimentos excediam esse limite, o valor que ultrapassa os R$ 250 mil fica fora da cobertura imediata do FGC. Nesses casos, os valores tornam-se créditos no processo de liquidação, cujo pagamento dependerá da venda de ativos, do ritmo da liquidação e da ordem de prioridade dos credores, e isso pode demorar ainda mais, sem garantia de restituição total.
Prejuízos e impacto no FGC
A situação também representa um desafio para o próprio FGC, que já vinha realizando um resgate histórico no caso do Banco Master. A entrada da liquidação do Will Bank estimula preocupações entre especialistas sobre a pressão adicional sobre os recursos do fundo, já que ele precisará cobrir mais clientes e saldos.
O que esperar daqui para frente
Com a liquidação decretada, o Will Bank deixou de operar como instituição ativa no mercado tradicional. O processo de liquidação extrajudicial vai seguir uma série de etapas supervisionadas pelo Banco Central e pelo liquidante responsável, com a intenção de:
- organizar o pagamento garantido pelo FGC a clientes;
- liquidar ativos remanescentes;
- verificar a ordem de prioridades dos credores;
- e, na medida do possível, devolver recursos que estejam acima do limite garantido.
Todo esse processo é complexo e pode levar meses ou mesmo anos até ser concluído. Para os clientes, o passo imediato é acompanhar os comunicados oficiais do FGC e as instruções para habilitação de créditos, o que garante o pagamento da parte que cabe ao fundo
Fique de olho no site da PBA
Acompanhar os acontecimentos do mercado financeiro nunca foi tão importante, especialmente em momentos de instabilidade como este. É por isso que a PBA se dedica a manter você sempre bem-informado sobre os fatos mais relevantes do mundo dos negócios e das finanças, traduzindo temas complexos em informações claras, objetivas e confiáveis. Aqui no nosso blog, você encontra análises atualizadas, explicações práticas e os principais desdobramentos que podem impactar empresas, investidores e consumidores no dia a dia.